28 fevereiro 2008

Sexy Singers dos Anos 80 # 11 - Kylie Minogue

O Eldorado - Edição nº 212

Dizem as estatísticas que nunca estive tanto tempo sem escrever neste blogue.
E sublinho "neste blogue" porque tenho escrito um pouco por toda a parte, exceptuando aquelas mensagens mais ou menos obscenas e abichanadas que se leem nas portas das casas-de-banho dos centros comerciais.
Também não tenho escrito nas paredes lá de casa, embora por vezes me apeteça.
"SALVEM-ME!", em grandes parangonas vermelhas, parece adequado aos acessos de melodramatismo e mistério que, de quando em vez, chocalham-me os neurónios.
Dizem também as estatísticas que as "Sexy Singers dos Anos 80" não cantavam aqui desde 22 de Janeiro...
Para o diabo com as estatísticas.

Kylie Minogue - Antes de acabar a tasquinha deste ajuntador de letras que vos escreve, há que levar até ao fim esta rubrica saudosista de melodias entoadas por sereias que, passados 20 anos, já descamam porque o tempo não perdoa.
Hoje temos a Kylie Minogue, essa bonequinha australiana de metro e meio de altura que, depois de vencido um cancro da mama, contrariando o que escrevi acima, ainda está aí para as curvas.
E que curvas! Tudo muito compactozinho para ser mais fácil arrumar lá em casa.
É claro que ajuda muito ter "só" 39 anos - o que faz dela a mais nova cantora trazida a esta rubrica - sendo que os 40 anos daquela que em alguns pontos de Portugal ficou conhecida como "Carla Minorca" vão ser assinalados a 28 de Maio, daqui a exactamente 3 meses.

Actriz da famosa série "Neighbours" que chegou a ser transmitida pela RTP nos anos 80, Kylie foi mais tarde convidada para revisitar o tema "Locomotion" cujo vídeo surripiei ao YouTube e está aí em baixo. Foi o seu primeiro hit numa altura em que Kylie ainda não tinha 20 anos. Seguiram-se mil e um sucessos, travessias no deserto e sempre grandes comebacks assentes num dos maiores casamentos voz/corpo da música pop.
Miminhos para os olhos e os ouvidos.

Sobre o Vídeo - Desta vez não há muito por dizer até porque já todos conhecemos de cor as imagens de marca dos anos 80. Estão cá todas: cantoras bonitas com glamour, permanentes que obrigavam cabeleireiros a horas extraordinárias, grafittis berrantes nas paredes, coreografias de gosto discutível, pop melódica, modelitos copiados do "Flashdance" e da série "Fama" e muita, mas mesmo muita boa onda.
Mal sabiam eles que 20 anos depois andaria tudo deprimido, por exemplo, a contar tostões para a gasolina que aumenta quase todos os dias...
Kylie, bela miss hobbit: Dá-lhe gás.

19 fevereiro 2008

Fumo Molhado

O Eldorado - Edição nº 211

Eu não fumo mas fumego pelas orelhas com notícias molhadas como as de ontem.
Então entre mortos e feridos, desalojados e desaparecidos, carros arrastados e casas caídas, tudo por causa das cheias, onde estão as notícias sobre o desaparecimento dos fumadores à porta de cafés e restaurantes?

Como jornalista, que alguns acusam de meia tigela (mas debalde o fazem, o que acho bem porque há que tirar a avó daquela poça de água que já pôs o frigorífico a boiar) parece-me pertinente fazer o rescaldo verde de uma situação que não foi abordada.

Tenho conhecimento que dezenas - que digo? - centenas de fumadores foram arrastados pelas cheias, ainda de cigarro orgulhosamente aceso, como se fossem portadores da tocha olímpica dos vícios discriminados.

Só em Setúbal, vi com estes olhos que a terra há-de comer, menos o de trás, várias dezenas de fumadores a deslizar junto à Praça do Bocage, rumo ao Sado, com direito a mergulho pontuável por júri internacional, como se Setúbal tivesse finalmente um Aquaparque à altura da sua histórica capacidade de meter água em quase tudo.

Vi gente em cima de árvores a enrolar charros e botes de salvamento com o célebre dístico de "Não Fumadores", inviabilizando o resgate de três tuberculosos que acendiam cigarro com cigarro como se não houvesse amanhã.
Lamentável, senhores.

Alguns restaurantes, que já disponibilizavam um casaquinho e alguns pares de cinzeiros para os adictos se sentirem num gulag mais simpático à porta dos restaurantes, passaram também a ceder algumas bóias e patinhos de borracha.

Cafés de proprietários xico-espertos e com jeito para o negócio engendraram promoções do género "Bica e bagaço - 1 euro ; dá direito a um par de barbatanas".

Enfim, Portugal, como sempre, adaptou-se às circunstâncias, mas repito: há dezenas de fumadores desaparecidos e pior que deixarem putos para criar e contas para pagar, é saber que alguns, estejam onde estiverem, só têm tabaco para mais umas horas.

Por isso, se és fumador e estás perdido algures debaixo de uma ponte submersa, à beira da hipotermia e - ó céus! - sem tabaco, não desesperes.
Em breve, um cardume de sereias a estagiar na Autoridade Nacional de Protecção Civil passará por aí com alguns maços de tabaco.
Mas parece que já só há SG Ventil.

15 fevereiro 2008

Três histórias de amor com calças de ganga, coelhos e peúgas brancas

O Eldorado - Edição nº 210

Em tempos namorei com uma peúga branca.
Talvez não seja de muito boa educação começar logo assim...
Ok, o meu nome é Pedro, tenho 18 anos, sou gordo, vesgo, fanhoso e tenho uma perna mais curta que outra, já não me lembro qual, porque passo o tempo deitado.
Hoje estou na quinta dos meus avós, em Benavente.
E ontem, Dia dos Namorados, estava na quinta dos meus avós, em Benavente.
E amanhã vou estar na Quinta dos meus avós, em Benavente.
Eu nunca saio de Benavente.
Nem da quinta dos meus avós.
Enfim, ontem lembrei-me, choroso, que nunca tive uma namorada.
Mas já namorei com uma peúga branca.
Andava - maneira de dizer - com ela enfiada no bolso das calças de ganga coçadas, como se fosse o meu amor de bolso.
Conhecia-a em Setembro de 2001 e ela disse-me que morava antes numa loja da Zara.
Namorámos um ano e meio até a paixão ficar gasta a ponto de romper pelos pontos.
Desse amor restou um buraco no meu coração e outro no seu calcanhar.
Mas a vida continua e hoje estou apaixonado por um abre-latas.


Estavam casados há 43 anos e tinham 60 cada um.
60 anos e 60 queixas por dia, onde o caruncho nas articulações era do mal o menos.
Ela, ainda e sempre apaixonada.
Ele, manietado pela rotina e afundando-se em qualquer coisa parecida como areia movediça que se enfiava pelo cós das calças de ganga e provocava um eterno prurido que apetecia coçar até deitar sangue.
Faziam criação de coelhos já nem sabiam muito bem porquê, mas não tinham condições para criar elefantes e então coelhos seria, daria menos trabalho.
Sexo não havia, mas cada um deles mantinha à cintura o seu velho exemplar.
- Vou alimentar os coelhos, disse ele.
- Vou contigo, disse ela.
- Não tens roupa para passar a ferro? - perguntou ele.
- Não, disse ela.
E lá foram, um atrás do outro, tão vagarosamente que as lesmas ao passar por eles faziam corrente de ar.
- Sabes - disse ela - o nosso amor, às vezes, ainda parece uma cena de filme. Não achas?
Ele não amoleceu nem um bocado, e respondeu:
- Só se for um daqueles filmes de terror...
E era assim a vida de Anacleto Estronço e Carmelinda Vagalume.


E agora para os mais pequeninos...
Era uma vez dois coelhinhos cor de rosa com olhos de mel que gostavam de namorar um com o outro.
Não, não eram coelhos gay, não me expliquei bem.
Era um coelho e uma coelha cor de rosa, com olhos de mel e que gostavam de namorar.
E claro, vestiam calças de ganga.
Ele, Diesel. Ela, Salsa.
Passavam o dia a fazer o amor coelho, roçando os bigodes, entrelaçando orelhas e massajando aquele género de pompom que eles têm na cauda e que dá imenso jeito para limpar o pó dos móveis, se bem que seja esquisito limpar o pó dos móveis com coelhos, mas vocês é que sabem.
Até que um dia o sr. coelho disse que ia comprar tabaco e o tempo passava e o coelho não voltava.
Dona coelha, preocupada, foi à procura dele e antes não tivesse ido.
Encontrou-o na marmelada com uma meia branca esburacada que tinha sido deitada fora, mas para o sr. coelho, pelos vistos, ela não era nada de deitar fora.
E lá estava ele, de calças de ganga em baixo, no truca-truca com o pompom a balouçar.

E é por isso que em noites de lua cheia, D. coelha e a sra. Carmelinda Vagalume costumam ficar sentadas na velha pedra junto ao ribeiro, a falar da vida enquanto fumam charros.

11 fevereiro 2008

Um Fado de Sempre

O Eldorado - Edição nº 209

A propósito de uma sessão de cinema/tarde de fados no Auditório Municipal da Biblioteca do Pinhal Novo, de uma noite em frangalhos, e de um princípio de semana como não tinha há muito tempo, resolvi colar aqui um poema/letra de música de Chico Buarque.
Ele foi um dos cantores que desfilaram no excelente "Fados", de Carlos Saura, imenso teledisco de homenagem à canção que, para o bem e para o mal, tem embalado este país...

Arrepiante - entre muitos outros - o tema que Chico cantou, as imagens do 25 de Abril que continua por cumprir e as palavras de Carlos do Carmo.
Foi o momento que mais me tocou.
Fica então, em baixo, o belo poema de Chico Buarque de Hollanda.
Chama-se "Sempre".

"Sempre"

Eu te contemplava sempre
Feito um gato aos pés da dona
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
Vejo estrelas que já foram
Noite afora para sempre

O teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso,o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre

Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre

E agora, o trailer de"Fados", de Carlos Saura

08 fevereiro 2008

Quinta das Ratazanas

O Eldorado - Edição nº 208

Exceptuando a Buraca, a Pedreira dos Húngaros e a Cova da Moura, os bairros problemáticos da Grande Lisboa têm nomes enganadores: Quinta da Princesa, Quinta da Fonte, Bairro do Picapau Amarelo ou Bairro da Bela Vista, este em Setúbal.

Presumo que tenham sido só sorrisos no primeiro dia e dentes partidos nos seguintes.
E carteiras bem enfiadas nos bolsos, uma caçadeira de canos cerrados atrás da porta do quarto, alarmes a fazer lembrar Bagdad em 1991 e até penicos cheios daquele estranho cocó que a avó faz quando come pedaços de toucinho com favas.
Arranjaram-se cães ferozes e amedrontadores como dobermans, pit bulls e chihuahuas incadescentes.
E, quando tudo falhar, haverá sempre um terço no bolso para pedir à Nossa Senhora que faça chover canivetes afiados na altura do valha-me Deus.

Atendendo a esta bizarra situação típica do nosso Portugal, o "Eldorado" sugere, digo, aconselha vivamente, digo, exorta veementemente que, no momento de nidificar na Grande Lisboa prefira bairros com os seguintes nomes:
Bairro dos Facínoras Violadores; Quinta das Ratazanas; Bairro do Sol Ausente; ou Bairro dos Mortos-Vivos.
Se existirem, estes são os melhores sítios para se viver.

Pronto, era só isto.
Bom fim-de-semana e se saírem para aproveitar o sol, fechem bem a porta.

07 fevereiro 2008

Pizza, Amor e Fantasia

O Eldorado - Edição nº 207

As mulheres não gostam de futebol.
Não percebem o frenesim, o propósito, as regras. Quer dizer, as regras até percebem, mas apenas as que se referem ao seu ciclo menstrual.
Nessas ocasiões, até aproveitam para perceber melhor a lei do fora de jogo ao anunciar, com a seriedade própria de um ministro das finanças que "hoje não pode ser nada; o Benfica joga em casa".

Ainda assim, parte das mulheres gostam mesmo do Benfica, e do Sporting, do F.C. Porto, do Juventude Sarilhense ou do Ermesinde. Muitas mais seguem os jogos da selecção, pois até tem lá o Ronaldo e, enquanto este não enfiar a aliança no dedo, anda a enfiar por aí, e alguma delas poderá ser a premiada com o bilhete de lotaria.
Sonhos e fantasias de novas candidatas a Cinderela.

Mas é quando Ronaldo e os outros se juntam para jogar com os belos ragazzi italianos que as mulheres se sentam mais atentas no sofá. De preferência com o telecomando entalado entre as pernas.

Assim, será de esperar que - para além do generalizado interesse masculino por um jogo Portugal x Itália - o encontro particular que ontem a RTP transmitiu, tenha tido dois grandes picos de audiência:

Primeiro, quando os onze italianos se perfilaram antes do início de encontro.
Aí, as meninas aproveitaram para tirar as medidas, e até disfarçaram o interesse pelas movimentações transalpinas com ocasionais urros "Portugal! Portugal!", comentados pelo parceiro do lado com muito mais mal disfarçado sarcasmo...
"Para que é a gritaria? Estamos a perder!"

Não terá durado muito o interesse e lá as mulheres regressaram aos seus afazeres, tipo lavar a louça que deliberadamente esquecemos amontoada no lava-loiças.
No desafio, começa a dança das substituições e é então que acontecece o segundo pico de audiência do encontro motivado pelo depravado interesse feminino.
Parece que o mulherio regressou aos magotes, para perto do televisor, quando ouviu:
"... e aos 57 minutos, sai Zambrotta e ENTRA GROSSO!"
Cose della vita...

06 fevereiro 2008

Dias em crise

O Eldorado - Edição nº 206

Como facilmente notarão, vivo uma crise de inspiração.
Há três bons motivos que contribuem para este deserto de ideias, os quais deixo à vossa imaginação.
Uma das consequências deste marasmo criativo é fazer rimar as primeiras frases de cada nova postagem, o que é irritante.

Na actual conjuntura, ganha cada vez mais força a ideia de acabar com o blogue, ideia que é uma certeza a acontecer no prazo de três meses.
E, pela enésima vez, este não é um apelo às massagens no meu ego.

"O Eldorado", se Deus quiser, e esta é a frase-chave desta postagem, ainda durará quase três meses. Depois, fecham-se as portas da tasquinha.
Até lá, continuarei a servir petiscos mais ou menos saborosos.
Até amanhã.

31 janeiro 2008

Intervalo - Luciana Abreu, o pirilampo

Luciana Abreu tirou a roupinha para a FHM.
A menina sonhadora de vestidinhos coloridos em "Floribella" é agora a mulher com corpo de Fonda em "Barbarella".
Ainda assim, vai apenas a meio caminho entre o deixar de ser quem era, e o quem quer passar a ser.

Esperava-se, para acompanhar o crescimento dos cabelos e das mamocas, a diminuição da sua faceta mais ingénua. Não.
Parece que Luciana mostrou-se sexy no ensaio (ainda que de anca bem rechoncha) mas limitada na entrevista, revelando ao mundo que tinha um cão chamado Romeu... Abreu e uma gata que chama Rita Maria... adivinharam, Abreu. Isto entre outras banalidades.
Mas a menina que veio do norte não se intimida com todo este escárnio e mal dizer e, vai daí, contou uma história, que ilustra a inveja que suscita:
"Certo dia uma cobra tenta caçar um pirilampo. Cansado de fugir, o pirilampo desiste e pergunta à cobra: 'posso fazer-te três perguntas?' A cobra responde: 'por norma não deixo que as minhas presas me façam perguntas, mas vou abrir uma excepção.' E pergunta o pirilampo:
'faço parte da tua cadeia alimentar?'
'não.'
'fiz-te algum mal?'
'não.'
'então porque é que me queres comer?'
'porque não suporto ver-te brilhar.'"
Só desconfio que a moral da história não seja apreendida como Luciana quer.
Depois disto já ouvi o seguinte comentário:
"Eu realmente tenho inveja dela, mas também já a comia!"

29 janeiro 2008

F-16

O Eldorado - Edição nº 204


Base Aérea de Monte Real
13h3om


- Daqui tenente-coronel Carlos Coiote. Escuto!
- ...
- Daqui tenente-coronel Carlos Coiote. Escuto!!
- ...


Base Aérea de Monte Real
13h35m


- Daqui tenente-coronel Carlos Coiote. Escuto!
- ...
- Daqui tenente-coronel Carlos Coiote. Escuto!!
- Base Aérea de Monte Real. Daqui Morais. Quem fala daí?
- Daqui tenente-coronel Carlos Coiote.
- Está a transmitir de ... um F-16?!
- Corrrecto e afirmativo.
- Mas... requereu autorização à base? Não tenho conhecimento...
- De facto, não. É por isso que estou a contactar agora e....
- Mas... Ó Tenente-coronel!! Isso não é assim!! Adonde é que vossemecê vai com o avião, raios o partam?
- Ó Morais! Não se enerve, mas eu precisei vir aqui ao pão a Mafarrazes, porque se eu chego a casa sem pão, a minha patroa dá-me na cabeça!
- Olha-me este agora! Sem autorização e para ir ao pão!! Vá lá, desta vez passa!
- Não vou demorar muito!!

(dificuldades de comunicação)

- Base Aérea de Monte Real, escuto?
- Sim, sim, perdi-o por momentos, mas já cá estou!
- Pois... o problema é esse, o estar aí... Já agora levava um Hércules C130...
- Cheiro a tinta??
- C130!!!
- Não... esse emprestei ao meu primo que foi ao Algarve apanhar conquilha...
- Deve estar a brincar comigo, não?
- Não, berbigão não. Conquilha.
- Com o cara***!! Vá lá, desta vez passa! Ó homem, você não devia estar aí nem de asa delta. Você até tem a licença suspensa!!

(dificuldades de comunicação)

- Como??
- Você tem a licença suspensa!!
- Na despensa? Foi o cão do Firmino, ele disse que ia limpar...
- Mas na despensa o cão do Firmino, o quê?! Tem a licença suspensa!!
- Eu sei, mas tinha mesmo que vir comprar pão!!
- Desta vez passa!! Mas... Epa! Que merda vem a ser esta?!
- Qual festa?
- Coiote, você está a fumar?
- Como é que sabe?... Isto é... EU??? Eu não!
- Ó tenente-coronel! Está-se a esquecer do novo dispositivo!!
- Mas eu não me dou bem com o adesivo!!


(dificuldades de comunicação)


- Mas qual adesivo, pôrra!! Porque é que está fumar no avião??
- É do stress!! É só uma passa!!
- Não, não passa! Desta vez não passa!! Não conhece a lei que foi aprovada?
- Ainda bem que não vai dizer nada...
- Mas quem é que lhe diz... A malta descobre!! Apague o cigarro, já!!
- Mas eu só piloto bem enquanto fumo!!
- Não passa!! Digo... não pode!! Fume lá fora!! Ejecte-se!!
- "Injecte-se"?! Não posso fumar, mas sugere que me injecte??
- Cara*** ma fod*!! Não me arranje problemas!! Ejecte-se!! Desapareça!!

Pinhal de Leiria, passeio de el-rei D. Dinis
13h45m

- Sim, senhores! Bonito serviço! Mais uma geringonça que me caíu no pinhal.
Está ali uma bela fogueira, sim senhores! Mas... quem é aquele que vem lá?
Alto!! Quem sois??
- Ó mascarado, sai-me da frente que eu estou a ter um dia complicado!!
O Carnaval é só para a semana!
- Eu sou el-rei D. Dinis e exijo que se responsabilize por aquele incêndio acolá!!
- Está bem, está.
- APAGUE AQUELE INCÊNDIO JÁ!!!
- Irra, que stressado! Devia fumar para descontrair um pouco. Pode-se fumar aqui?

23 janeiro 2008

Intervalo - Cristiano Ronaldo

Para ele, está a ser uma época extraordinária.
Sobre a relva ou debaixo dos lençóis, no rectângulo de jogo ou no triângulo de fogo, Cristiano Ronaldo farta-se de facturar.
Colecciona golos e prostitutas como eu coleccionava nódoas no babete quando ainda não tinha dentinhos. A facturação de Ronaldo frente a balizas grandes e pequenas, só é ultrapassada pela sua conta bancária.
O que se seguirá agora? Apostas na bolsa?
Aqui ele precisa tomar cuidado.
Dada a crise global nas principais praças mundiais, o mais que se aconselha a Cristiano Ronaldo em matéria de bolsa é que troque de pochete.

22 janeiro 2008

Sexy Singers dos Anos 80 # 10 - Heart


O Eldorado - Edição nº 202

Ainda que Mrs. Jane Fonda tenha feito muito sucesso no "Intervalo" publicado na edição anterior, é tempo de baixar a idade das protagonistas e aumentar a pulsação cardíaca dos leitores saudosos dos anos 80.
Estamos já na recta final desta rubrica que vai terminar com a publicação do nº 15.
Para nº 10, já que é um número redondo como a minha barriga, posta-se aqui não uma, mas duas antigas beldades: as meninas do grupo Heart.
A pensar no Marco Paulo - se ele pensasse nisto - uma loura e uma morena.

Sobre as Heart - Ann, a morena, e Nancy, a loura, são irmãs e foram a cara ( e o corpo) desta banda americana de hard rock que, embora só conhecesse o sucesso à escala global nos anos 80, já vinha desde os anos 70, com influências de grupos como, imagine-se, os Led Zeppelin.
Era o tempo das calças à boca de sino e dos cabelos ninhos de rato.
Nos anos 80, as meninas ficaram mais calmas e conquistaram os tops com as suas baladas.
E com as suas curvas perfeitas dignas do Grande Prémio do Mónaco.
No tempo do mega hit recuperado aqui em baixo, Ann Wilson tinha 35 anos e a sua maninha loura 31. Vão a caminho dos sessenta anos mas ainda cantam em festivais por esse mundo fora.

Sobre o Vídeo - Sem pozinho de originalidade, o vídeo começa, como outros, on the road e, de chofre, somos presenteados com um belo conjunto de permanentes tão em voga nessa década. Ou é isso ou trata-se de um documentário da National Geographic sobre catatuas.
Acabada a viagem, Ann Wilson começa a cantar e somos logo impelidos a dar os parabéns à equipa de maquilhadores do grupo norte-americano. Está ali um trabalho de horas e faço notar que nestas duas últimas frases estou a falar a sério.
Segue-se uma generosa dose dos habituais efeitos especiais, sendo que os melhores são causados pelo soberbo par de pernas de Nancy Wilson, cotado à época como poderoso afrodisíaco, lado a lado com o pau de Cabinda e túbaros de bovinos mais incautos.
E era por isso que, quando no velho televisor Grundig lá da sala, as manas Wilson apareciam a tocar, eu tocava-me também, mesmo sem perceber nada de música.

18 janeiro 2008

Intervalo - Fonda até morrer

A actriz Jane Fonda, aos 70 anos, decidiu que está na altura de fazer um filme erótico sobre uma mulher com mais de setenta anos.
É de esperar uma cena de sexo jurássico, do género: Jane está na casa-de banho a lavar a placa, quando um velhadas livra-se do andarilho e da algália e a surpreende por trás.
A cena instiga a arrepios na espinha e ao vómito, menos para os velhotes que vegetam nos lares por esse mundo fora.
Por duas razões:
Primeiro, porque já estão habituados a arrepios na espinha, vómitos e até cocó nas fraldas.
Segundo, porque há muito tempo que não veem um filme de Fonda.

15 janeiro 2008

NÚMERO 200

O Eldorado - Edição nº 200
"Balada das Personalidades Trocadas"


Como assinalar a edição de 200 posts neste blogue? Havia duas hipóteses: ou escrever um texto brilhante ou tatuar alguma coisa no rabo.

Em relação à segunda hipótese, a imagem de ter um tipo cheio de piercings com barbicha sebosa e ultra-tatuado, a infligir-me dor por trás, pareceu-me abjecta demais para ser colocada em prática.
Restava então escrever um texto brilhante, o que seria a primeira vez.

Ainda assim, resolvi reunir o Conselho Redactorial do "Eldorado".
Exactamente. Pensavam que conseguia editar tanta patetice sozinho? Tenho a ajuda de uns tipos que considero especiais, o que é bem diferente de ter ajuda especializada como adiante se verá.

O Conselho Redactorial do "Eldorado" é constituído por quatro-pessoas-quatro (escrevo assim porque somos todos do signo Touro e muitas vezes isto parece uma ganadaria). Além de mim, trabalham aqui o JP, a minha pessoa e eu próprio, o estagiário, que é detestável.

Cada vez que toca o telefone e pedem para falar comigo, com o JP ou com a minha pessoa, ele atende de forma arrogante respondendo "é o próprio", açambarcando todas as chamadas, mesmo as do Barclaycard ou do Citibank e nestes casos até agradecemos.
Também não percebo as pessoas. Se querem mesmo falar comigo porque insistem em falar com o próprio?

Outros dos mistérios aqui da xafarica está na casa-de-banho. Mais propriamente no espelho da casa-de-banho. É useiro e vezeiro que quando ali vou espremer um furúnculo ou caçar uma remela, veja reflectida não a minha imagem (belo como Apolo), mas sim a imagem da minha pessoa, que é feia como o triplo queixo do Berardo.
Tenha andado em reflexão sobre este problema de reflexão.

Queria aqui falar também sobre o JP.
Bom moço e muito inteligente. Mas acho abusivo que, neste blogue, os elogios sejam só para ele.
"Não desistas JP!"; "JP faz-me um filho", "Ah, grande JP!" ; ou "JP és melhor que o Brad Pintas e o Jorge Clooney juntos!" são alguns dos piropos que lhe têm sido dirigidos.
É injusto. Eu e a minha pessoa esfolamos o couro no teclado e o gajo é que leva os louros.
Ou melhor, as louras, porque o JP é muito macho.

Enfim, já tínhamos decidido tentar o tal "texto brilhante", com recurso a uma fonte Times New Roman pejada de purpurinas, quando descobrimos que eu próprio tinha já publicado esta "Balada das Personalidades Trocadas" para assinalar o post nº200.

Como estas linhas estão longe de constituir um texto brilhante, resta-nos avançar para a segunda hipótese.
E como avisei de antemão que não podem contar comigo, o JP pisgou-se e eu próprio detesto agulhas, lá teremos que fazer a tatuagem no rabo da minha pessoa.

14 janeiro 2008

Os mais comentados

O Eldorado - Edição nº199

Enquanto se prepara o salão de festas para a comemoração do post nº 200 (e atendendo que se vive por aqui o countdown final) resolvi vir aqui editar a lista dos posts mais comentados por vossemecês.
Os resultados são surprendentes.
Ou nem por isso.

5º lugar - "No Tempo da Abelha Maia"- 24 comentários.
Publicado a 07 Maio 2007.

4º lugar - "Desencontro de Irmãos" - 25 comentários.
Publicado a 27 Julho 2007.

3º lugar - "Número 100" - 25 comentários.
Publicado a 17 Maio 2007.

2º lugar - "Regresso ao Passado - Alegadamente Afogado" - 28 comentários.
Publicado a 24 Julho 2007.

E no primeiro lugar...
TCHARAM!!

"Este Blog vai Acabar" - 37 comentários.
Publicado a 10 Janeiro 2008.

Conclusão: À boa maneira lusitana, o número de curiosos multiplica-se na hora da desgraça, mesmo que num blog... engraçado.
O J.P. ia morrendo afogado? 'Bora lá ler isso.
O blog vai acabar? Esperemos que sim. Vamos lá espreitar para ver se é verdade.
Acho que se juntar as palavras "sexo"e "morte" no título de um próximo post, consigo 545 mil comentários...

10 janeiro 2008

Sexy Singers dos Anos 80 # 09 - Laura Branigan

O Eldorado - Edição nº 198

Como podem ver, "O Eldorado" ainda mexe e, por isso, resolvi voltar à edição das meninas que melhor se mexiam - ah, e também cantavam - nos anos 80.
Já aqui tivemos, entre outras, a Kim Wilde que se dedicou à jardinagem, a Samantha Fox que se dedicou ao lesbianismo e a Sabrina que se dedicou a abrilhantar passagens de ano.

Pois hoje temos alguém que não se dedicou a coisa nenhuma, porque já morreu.
Ou seja, exceptuando uma ou outra sessão de espiritismo não documentada, esta é uma homenagem póstuma a Laura Branigan, falecida em 2004, vítima de aneurisma cerebral.
Mas quando cantava o "Ó, ó, ó! Ó, ó, ó!" do "Self Control" tinha 27 anos e estava vivinha da silva e é isso que nos traz aqui.

Laura Branigan - Esta nova-iorquina do signo solar Caranguejo (hoje sonhei que era tarólogo e que ganhava rios de dinheiro para aparecer na televisão e dizer disparates...) nasceu a 03 de Julho de 1957 tendo por isso faltado à festa do seu meio centenário, no ano passado.
Branigan foi uma popular cantora e atriz americana, diz a Wikipédia.
Concordo com a qualidade da voz, discordo com o resto.
Adiante.
Tornou-se famosa pela interpretação da canção "Gloria", pela qual, fazendo jus ao título, recebeu um Grammy.
Já a sua conterrânea e "sucessora" Britney Spears recebeu vários e, Grammy a Grammy, tem hoje vários quilos a mais. Por outro lado está viva e... concentra-te, pôrra!
Onde é que eu ia?
Bem, depois de "Gloria" veio o seu hit orelhudo em 1984: "Self Control".

Sobre o vídeo - Escolhi roubar no YouTube a versão mais longa deste tema tantas vezes cantarolado nos idos de 80. E o que primeiro vemos, esquecendo um péssimo efeito especial com um malmequer, é a morena Laura a acordar (logo ela que morreu durante o sono) pronta "p'rá night", como dizem agora aqueles que têm idade para ser meus filhos (JP concentra-te, raios!).
Depois há uma bailarina meio fantasma que lhe faz umas festinhas e acho que isto poderia ter sido mais explorado.
Laura troca então os collants brancos pelo preto do cabedal e parte para a caça.
Tem um fugaz encontro com o fantasma da ópera, vai rebolar as ancas numa discoteca, reencontra o fantasminha e o resto vejam vocês.
Laura, estejas onde estiveres, obrigado por tudo.
Senhor, trocais a Laura pela Céline Dion?

07 janeiro 2008

Este blog vai acabar

O Eldorado - Edição nº 197

Esperem lá, não comecem já a salivar que eu não gosto de ver perdigotos no monitor.
Quando eu escrevo lá em cima "Este blog vai acabar", não estou a brincar, mas a extinção deste pedaço de lixo internauta não será para já.
Mas está assente que o ponto final será algures este ano.

E... ó JP... porque é que o blog vai acabar?
Bem, eu nem sequer devia responder, porque quem formulou a questão fui eu, e se eu já sei a resposta não faz sentido algum responder a algo que já sei, além de que falar sozinho não abona muito em favor do meu estado mental que, como se sabe, já anda bastante deteriorado.
Mas adiante.

O blog vai acabar porque já viveu melhores dias.
Acumulam-se os dias de crise inspiratória e a falta de visitantes comentadores também mirra o ego e espevita a preguiça.
Mas convém desde já avisar que este não é um texto lamuriento, do género "ah e tal, comentem lá mais vezes o que escrevo senão amuo e não brinco mais".
Nada disso.

A menos que nos próximos dias tenha uns 100 visitantes diários e uns 50 comentários a todas as patetices que escreva (cenário de todo improvável) este blog tem mesmo os dias contados.

E com os dias contados, este ano tem 366 dias, o que faz dele um ano bissexual, perdão, bissexto.
Faltam hoje menos de 360 dias para 2008 acabar.
Antes disso acabará este blog.
Está decidido.

Entretanto, vem aí o segundo ano de existência desta tasca.
Quinta-feira regressa a rubrica "Sexy Singers dos Anos 80".
Depois, na semana seguinte, "O Eldorado" ganhará novo impulso.
Até ao fim dos seus dias.

02 janeiro 2008

2007 - Bestial Best Of

O Eldorado - Edição nº 196

E não é que já estamos em 2008?
O tempo passa mas há tradições que nunca se perdem. Como a irritante lista de "os melhores do ano que passou".
A febre acometeu até este blogue no final do ano passado, com a eleição do "Melhor Dia do Ano", Melhor Música", "Melhor Filme", "Melhor Livro"...
Mas este ano resolvi editar um Best Of Alternativo.
Cá vai disto.

Melhor Ultrapassagem em 2007: Efectuada a 24 de Agosto a um Opel Corsa, um Renault Megane e uma velha em cadeira de rodas, numa descida na Arrábida.

Melhor Discussão entre Vizinhos em 2007: Ocorrida a 05 de Março, entre a vizinha do 1º esquerdo, a do 1º direito, duas testemunhas de Jeová e um distribuidor de publicidade, com direito a presença de dois agentes da autoridade e um fotógrafo de um pasquim local.
Discutiam sobre a política social do governo Birmanês.

Melhor Arroto Ouvido em 2007: Emitido pelo meu caniche a 07 de Setembro, depois de ter mamado três costoletas de porco.

Maior Número de Peças de Roupa Vestidas num só Momento em 2007: 46, a 20 de Fevereiro, Terça-feira de Carnaval; no caso, 1o camisas, sete pullovers, três casacos, cinco pares de calças, 10 pares de meias, dois pares de sapatos, três cachecóis e seis bonés, compondo a fantasia à Fernando Mendes que fez sucesso no desfile cá da terra.

Maior Bebedeira em 2007: Houve, nesta matéria, qualquer coisa em Julho. Não me lembro mais do que isto.

Maior Comprimento de uma Unhaca dos Pés em 2007: Sete cêntimetros e meio alcançados pela unhaca do dedão do pé esquerdo, até 27 de Outubro. Cortada nessa manhã, antes de iniciar aulas de natação nas Piscinas do Pinhal Novo.

Melhor Momento Depressivo de 2007: 18 de Maio de 2007, depois de ter revisto em DVD "King Kong", nomeadamente a cena em que o big macaconço é encurralado e alvejado pelos aviões, no topo de um arranha-céus em Manhattan.

Dia em que mais se Recorreu a Lenços de Papel: 18 de Maio de 2007.

Maior Quantidade de Papel Depositada no Papelão: , 3kg750 a 19 de Maio de 2007.

Maior Estupidez Proferida em Directo nas Televisões em 2007: Qualquer uma de Mário Lino. Dois ex-deputados, três médicos da AMI, um representante do Circo Victor Hugo Cardinali e uma velha em cadeira de rodas que está a descer a Arrábida, deliberam ainda sobre esta matéria.

28 dezembro 2007

A todos um excelente 2008

O Eldorado - Edição nº 195

O autor deste blog, empaturrado até às amígdalas, implora por mil perdões, mas a gordura alojada no cortex cerebral não lhe permite criar textos absurdamente geniais, como é apanágio desta casa.

Assim, pelo menos até o ano estar concluído e outro iniciado, ou seja, apenas quando debelada a mega bebedeira que se prevê para a próxima segunda e terça-feiras e for confirmada alta hospitalar pelo corpo clínico do Hospital de Santa Maria, só aí, dizia, é que o administrador desta estupenda chafarica voltará a martelar os quadradinhos letrados dos teclados com os seus dedinhos agora roliços.

Portanto, toda a equipa do "Eldorado" (eu, o gajo que está a escrever, o JP e muitos mais), deseja a todos os leitores, simpatizantes e amigos um excelente 2008.
Até breve.

26 dezembro 2007

Um Gordo Natal

O Eldorado - Edição nº 194

Foi algo extremamente opíparo.
Orgásmico.
Como um lampejo do antigo império romano, nos seus dias decadentes, rebolando faustosa e alegremente para o abismo.

À mesa, - nas mesas, melhor dizendo - Borrego, Peru, Porco e Vaca.
Mas para equilibrar a carnificina, Soufflé de Queijo e Espinafres, Tofu e, claro, o Bacalhau em pelo menos quatro modalidades olímpicas: Tronxa de Bacalhau, Pastéis de Bacalhau, Bacalhau com Todos, Bacalhau com Natas.
E ainda sopa, arroz, batatas fritas, a murro, cozidas e ao calhas também.

E claro, o desfile pantagruélico de doces tradicionais e outros adaptados ao gosto dos glutões natalindos: Bolo Rei, Arroz Doce, Filhós, Azevias, Sonhos, Rabanadas, Bolo de Chocolate, Semifrios e muitos outros que ficam por nomear ou que que ficaram por fazer, não por preguiça mas por bom senso.
O destaque guloso do ano vai para o Bolo Rei Escangalhado que o meu estômago apressou-se a arranjar e a acondicionar o melhor que pôde.

E houve ainda as passas, as nozes, as amêndoas, as avelãs, as broas, os vinhos, os licores, os cafés e capuccinos...

E hoje, 26 de Dezembro, assemelho-me perigosamente a um leitão bem redondinho.
Apontar na agenda: Não passar nos próximos dias pela Mealhada.

20 dezembro 2007

Barbies e Noddys

O Eldorado - Edição nº 193
ESPECIAL NATAL

O Natal está a chegar.
Diz que é na próxima terça-feira e, qual milagre do Menino Jesus, os portugueses esquecem a crise, o desemprego, o Benfica, o desespero e desatam a comprar Barbies e Noddys.
Tiro ao boneco, já a seguir.


Inventados há mais de 50 anos, as Barbies e os Noddys continuam a ser bonecos adorados pelos portugueses. O mesmo já não acontece com a Lili Caneças, uma boneca de plástico inventada ainda há mais tempo.
A corrida aos antros de consumo entra agora no sprint final. Andamos falidos e mal pagos, mas o que interessa é que haja bonecos para os putos.


Esta psicose colectiva ainda vai levar a humanidade à ruína.
Quando acordarmos, será tarde, e nada haverá para comer. Em contrapartida, os fedelhos vão ter um quarto cheio de brinquedos, pelo que só restará dizer à Mariazinha para trazer uma boneca Barbie, para a mãe cozinhar ao jantar.


Uma sopinha de Barbie, porque não?
Pode ser que seja tenrinha, o raio da boneca.
Eu cá já comia uma Barbie, embora tenha de aceitar a verdade dos factos: um Action Man parece ter mais para comer, por muito gay que isto pareça.


Além da Barbie e do Action Man, o Noddy continua em alta.
O raio do boneco está em toda a parte. À primeira vista, este tal Noddy parece um anão vestido de forcado, mas não, não é anão e está em alta.


Ao Noddy faltam-lhe as mamas, por isso o boneco procura seduzir com as armas que tem: uma camisinha vermelha, uns calçõezinhos curtos e um barrete azul com um guizo na ponta.
Não é nada discreto o puto.
Não o levem ao Parque Eduardo VII.
Depois digam que não avisei.


Até por isto é politica e moralmente correcto preferir uma Barbie.
Embora a menina tenha para aí uns cinquenta anos, continua e ter uma cinturinha de vespa e eu acho sinceramente que a gaja anda a gastar a pensão do Ken na Corporación Dermoestética.
Sim, porque eles estão separados há muito tempo.


Eu conheci o Ken.
Nunca pensei que fosse um rapaz capaz de perder a cabeça por uma qualquer boneca loura, mas o lançamento da Barbie em lingerie Triumph mexeu com ele.
E tudo isto porque um boneco não é só feito de pau.
É também de pau feito.


E eu avisei o cara de pvc:
"Ken! Ó Ken! Tu vais te dar mal! Esquece essa gaja que troca de roupa a toda a hora!
Não achas que é de desconfiar?"
E ele respondia:
"Não consigo!! Ela é muita gira! Não consigo, JP!!!"
E eu:
"Consegues, Ken. Yes, you Ken. Ken te avisa teu amigo é."
Mas ele nunca fez Noddy, digo, nada.


É muito triste quando os casais se separam, mas às vezes tem de ser e eu, neste caso, defendo o Ken.
Eu também não gostaria de namorar com uma miúda que já passou pela mão de toda a gente.


***

"O Eldorado" deseja a todos os leitores e amigos um santo e feliz Natal.
Que tenham prendas, guloseimas, paz e amor.
Volto na quarta-feira.