15 fevereiro 2008

Três histórias de amor com calças de ganga, coelhos e peúgas brancas

O Eldorado - Edição nº 210

Em tempos namorei com uma peúga branca.
Talvez não seja de muito boa educação começar logo assim...
Ok, o meu nome é Pedro, tenho 18 anos, sou gordo, vesgo, fanhoso e tenho uma perna mais curta que outra, já não me lembro qual, porque passo o tempo deitado.
Hoje estou na quinta dos meus avós, em Benavente.
E ontem, Dia dos Namorados, estava na quinta dos meus avós, em Benavente.
E amanhã vou estar na Quinta dos meus avós, em Benavente.
Eu nunca saio de Benavente.
Nem da quinta dos meus avós.
Enfim, ontem lembrei-me, choroso, que nunca tive uma namorada.
Mas já namorei com uma peúga branca.
Andava - maneira de dizer - com ela enfiada no bolso das calças de ganga coçadas, como se fosse o meu amor de bolso.
Conhecia-a em Setembro de 2001 e ela disse-me que morava antes numa loja da Zara.
Namorámos um ano e meio até a paixão ficar gasta a ponto de romper pelos pontos.
Desse amor restou um buraco no meu coração e outro no seu calcanhar.
Mas a vida continua e hoje estou apaixonado por um abre-latas.


Estavam casados há 43 anos e tinham 60 cada um.
60 anos e 60 queixas por dia, onde o caruncho nas articulações era do mal o menos.
Ela, ainda e sempre apaixonada.
Ele, manietado pela rotina e afundando-se em qualquer coisa parecida como areia movediça que se enfiava pelo cós das calças de ganga e provocava um eterno prurido que apetecia coçar até deitar sangue.
Faziam criação de coelhos já nem sabiam muito bem porquê, mas não tinham condições para criar elefantes e então coelhos seria, daria menos trabalho.
Sexo não havia, mas cada um deles mantinha à cintura o seu velho exemplar.
- Vou alimentar os coelhos, disse ele.
- Vou contigo, disse ela.
- Não tens roupa para passar a ferro? - perguntou ele.
- Não, disse ela.
E lá foram, um atrás do outro, tão vagarosamente que as lesmas ao passar por eles faziam corrente de ar.
- Sabes - disse ela - o nosso amor, às vezes, ainda parece uma cena de filme. Não achas?
Ele não amoleceu nem um bocado, e respondeu:
- Só se for um daqueles filmes de terror...
E era assim a vida de Anacleto Estronço e Carmelinda Vagalume.


E agora para os mais pequeninos...
Era uma vez dois coelhinhos cor de rosa com olhos de mel que gostavam de namorar um com o outro.
Não, não eram coelhos gay, não me expliquei bem.
Era um coelho e uma coelha cor de rosa, com olhos de mel e que gostavam de namorar.
E claro, vestiam calças de ganga.
Ele, Diesel. Ela, Salsa.
Passavam o dia a fazer o amor coelho, roçando os bigodes, entrelaçando orelhas e massajando aquele género de pompom que eles têm na cauda e que dá imenso jeito para limpar o pó dos móveis, se bem que seja esquisito limpar o pó dos móveis com coelhos, mas vocês é que sabem.
Até que um dia o sr. coelho disse que ia comprar tabaco e o tempo passava e o coelho não voltava.
Dona coelha, preocupada, foi à procura dele e antes não tivesse ido.
Encontrou-o na marmelada com uma meia branca esburacada que tinha sido deitada fora, mas para o sr. coelho, pelos vistos, ela não era nada de deitar fora.
E lá estava ele, de calças de ganga em baixo, no truca-truca com o pompom a balouçar.

E é por isso que em noites de lua cheia, D. coelha e a sra. Carmelinda Vagalume costumam ficar sentadas na velha pedra junto ao ribeiro, a falar da vida enquanto fumam charros.

5 comentários:

gisela cañamero disse...

deixei um desafio para este blog na cigarra...

Sofia disse...

Não tinham condições para criar elefamtes? Limpar o pó dos móveis com coelhos?

Se tu soubesses o que eu chorei a rir com isto... a sério... e ainda rio, enquanto escrevo!

Parabéns!

muitos beijinhos

JP disse...

Gisela Cañamero:
Cara Gisela, todos os que pululam por este blogue já sabem que detesto encarneirar em cadeias de desafios blogueiros, por mais interessantes que sejam, como de resto é o seu.

Sobra-me trabalho e falta-me o tempo, mal dando para escrevinhar as minhas atoardas.

Espero que me desculpe então.
Mas continue a desafiar outros por essa blogosfera fora e não deixará concerteza de ter o retorno esperado.

Beijos.

JP disse...

Sofia:
Está explicada a origem das cheias.
A Sofia chorou a rir com o que escrevi.

Só não está explicada que espécie de disfunção tem a Sofia para rir de coisas assim tão parvas como as que escrevo...

Beijos.

Sofia disse...

JP, o problema não está em mim, tu é que tens pilhas de graça. Mas é bom saber que ainda vou servindo para alguma coisa... nem que seja inundar o país.

beijinhos