22 outubro 2007

Sabores Vegetarianos

O Eldorado - Edição nº173

Eu, que me babo por um bom pedaço de carne, de qualquer tipo no prato, de uma só espécie bem específica e identificada na cama, envolvi-me de cabeça nos gostos alternativos e aqui já só me refiro mesmo aos sabores da mesa.
Descomplicando, posso dizer que sábado foi um dia dedicado à causa vegetariana.

Depois da mostra de plantas aromáticas e medicinais, a ARCADA, associação a que pertenço, organizou aquele que foi o 1º Encontro de Alimentação Saudável no Pinhal Novo, que contou com a presença de cinco oradores inspirados, uma vintena de assistentes na plateia e mais do dobro na hora de comer.
Sim, porque o português gosta é da hora de comer, seja carne, peixe ou tofu com cogumelos.

Mas a alimentação vegetariana ainda é um bicho de sete cabeças para muitas pessoas.
Ou, deixando os animais de lado, uma planta meio extraterrestre com três olhos e linguagem binária.
Um amigo meu clamava a pés juntos que tinha a certeza de não gostar de "Amburgas de Soja", de "Fotu", de "Algas Madrinhas" ou de "Satã com molho de Shogun" e eu, claro, respondi-lhe que também não gostava de nada disso...

A ementa do encontro? Três pratos à escolha, a saber: Lasanha de Soja, Tofu com Cogumelos e Seitan no Forno com Puré de Batata e Cenoura.
Papei este último com alguma voracidade porque já passava da hora. E estava muito bom, ou não tivesse tudo vindo do excelente restaurante "Encontro de Sabores" em Pinhal Novo. Merece a vossa visita estejam onde estiverem.

Sumo de maçã e cenoura a acompanhar.
Depois houve um sortido de sobremesas, onde o Bolo de Alfarroba, talvez por se assemelhar aos de chocolate, foi o primeiro a desaparecer, sem que fosse a tempo de o provar, o magano.

Dos oradores ou palestrantes, destaque para o curioso contraste entre o exótico Luís Filipe Estrela e a discrição quase monástica dos dois elementos da Associação Portuguesa de Vegetarianos.

O Sr. Estrela, figura pitoresca de Setúbal que alardeou o seu passado problemático com uma jactância verborreica própria de quem deu a volta por cima, chocalhou a audiência com as suas aventuras no mundo do crime e da droga, a que contrapunha agora uma filosofia para lá de zen, holística e rapidamente desenquadrada do tema central do encontro.
Mas se ele não tivesse ido, o encontro teria perdido algum brilho, essa é que é essa, mais que não seja porque o fato imaculadamente branco que envergou, fazia lembrar a reencarnação da Nossa Senhora de Fátima num tipo de bigode.

O encontro foi globalmente positivo e eu próprio, carnívoro assumido, só no domingo à noite voltei a comer carne, o que, fazendo contas às quatro principais refeições do fim-de-semana, dá uma reduzida percentagem de 25% quanto à digestão de comida que foi outrora um animal de quatro patas.
Duas refeições vegetarianas... (50%)
... e uma de peixe (25%).

E, se fosse sempre assim, eu não teria 8 quilos a mais, seria mais saudável e porventura mais bonito, assim uma espécie de George Clooney da Margem Sul.
Pronto, não exageremos.

9 comentários:

ana vidal disse...

"mais que não seja porque o fato imaculadamente branco que envergou, fazia lembrar a reencarnação da Nossa Senhora de Fátima num tipo de bigode."

Delicia-me sempre ler-te, JP.

beijo
ana

Visão Caleidoscópica disse...

Para a próxima convida!
FORRETA!!!
Até mais...
NOTA!
E não deixo beijos porque estou a aprender contigo...a ser forreta!

Mad disse...

Então e os animais de duas patas (vulgo frango, pirum e pedriz, para citar alguns)? Hein?

Mãos que Marcam disse...

Como há muitas meninas simpáticas que frequentam este blog, vou aproveitar para fazer publicidade!

É só seguir o meu perfil

(Obrigada JP, Beijos - FL)

JP disse...

Ana:
Obrigado, uma vez mais, pelos elogios, mas não fiz mais do que relatar factos baseados na observação empírica, ainda que por detrás de uns bons óculos escuros.

É que o fato era mesmo imaculadamente branco e o sr. tem longo cabelo comprido negro e bigodaça da mesma cor.

Beijos.

JP disse...

Maria:
Aumenta alista de pessoas que me chamam "forreta".

Se soubessem a parcimoniosa verba que tenho para gerir todos os meses, chamar-me-iam "milagreiro"...

Para castigo, também não há beijos.
Contudo, tens direito a um abracinho.

P.S: Em nome de velhas rivalidades virtuais, seria muito bonito se encomendasses umas peças coloridas à Flora.
Tem lá coisas giras, digo eu.

JP disse...

Mad:
É verdade, as aves têm duas patas!!

Parece que não perdi muito tempo na quintinha pedagógica do zoo...

Beijos.

JP disse...

Flora:
Se o Luís de Matos sabe que tens tanto jeito com as mãos, enfia-te na cartola e só sais de lá se o coelhinho for com o palhaço e o Pai Natal ao circo...

Beijos.

FL disse...

JP,

Obrigada pela visita e pelo link.
Beijos