17 dezembro 2007

Regresso a Lisboa

O Eldorado - Edição nº 192

Estava frio? Estava.
Havia menos luzes? Havia.
Já não estava por ali a "maior árvore de Natal da Europa"? Não fez falta.
Mas o que contava era cumprir uma recente tradição (gosto destes paradoxos) de luminescências românticas envoltas em espírito natalício, tendo Lisboa como Mãe Natal.

De mãozinhas geladas, entrelaçadas pela Baixa e pelo Chiado, redescobriu-se uma capital que vive o espectro das dívidas e que cortou a eito no orçamento para iluminações, árvores gigantes e afins. Também neste campeonato o Porto ganhou a dianteira: a mega-árvore foi plantada na Invicta, e por lá se fazem desfiles de Pais Natal como se os houvesse em cada esquina.

Em Lisboa, o frio cortante fustiga os pedintes que, aos magotes, cada qual com o seu cão, os seus acordeões e malabares, imploram pelo tilintar das moedas lançadas displicentemente nos seus chapéus.
Mas falemos de coisas bem melhores, a Laurinda faz vestidos por medida, o rapaz estuda nos computadores, dizem que é um emprego com saída.

O momento do dia foi, sem dúvida, o belo repasto no Oriente Vegetariano, na rua Ivens ao Chiado.
Ementa policromática e um festim para a descoberta de nomes e sabores como a polenta, o cuscuz e muitas outras... ann... coisas.
Impossível definir, mas facílimo de saborear.

A comida vegetariana surpreende-me cada vez mais quanto às suas possibilidades e não digo nunca à hipótese de, um dia, deixar de comer carne.
É sem dúvida um restaurante que recomendo. Não sejam preconceituosos e ide lá pelo menos uma vez na vida.
E não voltem!
Desta vez foi uma sorte conseguir mesa e, se começarem todos a ir ao mesmo sítio, alguém terá de ficar à porta e temo que esse alguém seja eu.

Para fazer a digestão nada melhor do que uma caminhada (sempre de nariz gelado, mas empinado e curioso) pelo Chiado, Largo do Carmo, Rossio, Portas de Santo Antão, Praça da Figueira e Terreiro do Paço.
Compras? Pois... só com o olhar.

O Terreiro do Paço está aos domingos fechado à circulação automóvel, o que desde já classifico como uma excelente ideia.
Tenho outras, sr. Presidente António Costa: contrate-me!

Devolvido o Terreiro do Paço às pessoas, tiram-se fotografias em família ou com o amante filho do talhante lá do bairro.
Debaixo das arcadas da Praça do Município, multiplicam-se os jogos tradicionais: damas, gamão ou ping-pong.
Confesso que deu vontade de jogar ping para lá, pong para cá, em tão histórico cenário.

Ali ao pé, um coro de Gospel entoava cânticos natalindos com vozes profundas, vindas do âmago da alma. Chamam-se Deep Voices, mas pela maneira como elevavam a voz até ao céu, bem poderiam se chamar Heavenly Voices.

Depois foi registar mentalmente os vários conjuntos de iluminações, confirmando a ideia do segundo parágrafo deste post, que não adianta repetir.
Ao contrário, espero sempre repetir estas deambulações natalícias pela capital do império, até porque fiquei com a certeza que, ao frio, os beijos quentes dados a quem se ama, são como as castanhas assadas: um só é pouco, uma dúzia é que está bem.

4 comentários:

Mad disse...

Olha que romântico que ele está. O espírito tb te bateu?

FL disse...

Andaste pela capital, hum? Eu, ao fim-de-semana fujo dela a sete pés.
Para onde faz muito mais frio que aqui, mas nem se sente, de tão bem que se está:-)

Feliz Natal para ti e para os teus.
Beijocas

JP disse...

Mad:
Romântico, mas não trôpego, como cantava o José Cid...

Beijos.

JP disse...

Fl:
Ao fim-de-semana a capital tem outro encanto...

Se é já para desejar "Feliz Natal", eu já te digo...

Feliz Natal para ti também.
Que seja o melhor de sempre.
Toma!!

Beijos.